O que exigir de qualquer agência: contas, dados e regras de saída
Isso aqui vale inclusive para nos contratar. Um cliente que sabe o que exigir dá menos trabalho e cobra melhor, e sinceramente prefiro assim.
A maioria das brigas entre empresa e agência não é sobre resultado. É sobre o que acontece na saída. E na saída se descobre, tarde, que a conta de anúncio nunca foi sua.
1. As contas precisam estar no seu CNPJ
Esse é o ponto que mais gera prejuízo e o menos discutido.
Devem pertencer à sua empresa: o Business Manager do Meta, a conta do Google Ads, o perfil do Google Empresas, o domínio do site, a hospedagem, o pixel de rastreamento e a conta do Google Analytics.
A agência entra como usuária ou parceira, com permissão de trabalho. Você mantém a propriedade e o acesso de administrador.
Por que isso importa tanto: junto com a conta vai o histórico. Públicos personalizados construídos ao longo de meses, lista de quem já visitou o site, aprendizado que o algoritmo acumulou sobre quem converte no seu negócio. Recomeçar do zero significa meses de custo por lead mais alto até a conta amadurecer de novo.
Como verificar hoje, sem pedir nada a ninguém: entre em business.facebook.com com o seu login, vá em Configurações do Negócio e veja quem aparece como proprietário da conta de anúncios. Se o nome que aparece é o da agência, você não tem a conta, você tem acesso a ela.
2. Relatório com o que você combinou de medir
Defina antes de assinar quais números vão no relatório, e faça isso constar por escrito.
O mínimo honesto: investimento, contatos gerados, custo por contato, vendas atribuídas e custo por venda, sempre comparados com os meses anteriores.
O detalhe que evita discussão depois: acerte de onde sai o número de vendas. Da plataforma ou do seu sistema? Os dois vão divergir, isso é normal e tem explicação técnica. O problema é descobrir a divergência no sexto mês, no meio de uma discussão sobre renovação.
3. Acesso de leitura permanente
Você deve conseguir abrir o gerenciador e ver as campanhas rodando, sem pedir permissão e sem agendar reunião.
Não é desconfiança, é higiene. Fornecedor que resiste a dar acesso de leitura está sinalizando algo, e o que ele sinaliza raramente é bom.
Vale o mesmo para os criativos. Peça que os arquivos finais fiquem numa pasta compartilhada. Foto, vídeo e arte que você pagou são seus.
4. Regras de saída simétricas
Aviso prévio entre 30 e 60 dias, valendo para os dois lados.
Verifique se existe multa e se ela se aplica a ambos. Contrato em que só o cliente paga multa por sair é comum e é desequilibrado.
E deixe escrito o que acontece na transição: a agência remove o próprio acesso, mantém as contas intactas e entrega os arquivos. Uma frase curta no contrato resolve o que costuma virar três semanas de e-mail atravessado.
5. Clareza sobre o que é verba e o que é honorário
O valor pago em mídia vai para o Google e para o Meta. O honorário é o que remunera a gestão. São coisas separadas e devem aparecer separadas na proposta e na nota.
Se a proposta traz um valor único de “pacote”, pergunte quanto vai para mídia. Você tem direito de saber quanto do seu dinheiro efetivamente vira anúncio, e o extrato da plataforma confirma.
Já escrevemos sobre faixas de preço praticadas em quanto custa uma agência de marketing em Caruaru e sobre quando faz sentido contratar, então aqui vale só o ponto de transparência.
O teste de dez minutos antes de assinar
Pergunte três coisas na reunião de proposta e escute como a pessoa responde, não só o que ela responde.
“A conta de anúncio vai ficar no meu CNPJ?” A resposta certa é sim, sem rodeio.
“Consigo acesso de leitura desde o primeiro dia?” Idem.
“Se eu sair em seis meses, o que fica comigo?” Aqui a resposta boa é específica: contas, públicos, criativos, histórico.
Hesitação em qualquer uma das três diz mais sobre os próximos doze meses do que qualquer case de portfólio.