Quando começar a campanha de Black Friday (e por que outubro decide novembro)

Novembro de 2025 movimentou R$ 39,2 bilhões em e-commerce no Brasil, alta de 36,2% sobre 2024, segundo a Confi Neotrust. Só na sexta-feira da Black Friday foram 72 milhões de transações, quase o dobro do ano anterior. Esse número não nasceu no dia 28 de novembro. Nasceu do planejamento que começou meses antes.

Não existe ainda dado fechado de mercado para os resultados de 2026, porque o evento não aconteceu. O que existe é o padrão consistente dos últimos anos, e ele aponta um calendário bem definido.

O calendário real, em quatro fases

Diagnóstico e planejamento (agosto/setembro, 60 dias antes)

É a fase de olhar o histórico antes de montar qualquer campanha: o que vendeu bem na Black Friday passada, qual foi o CAC daquele período, quais categorias e fornecedores entram na promoção deste ano, qual meta de estoque e de margem faz sentido. Quem pula essa etapa entra em novembro decidindo tudo sob pressão.

Aquecimento e pré-venda (outubro, 30 dias antes)

A maioria dos negócios menores ignora essa fase, que é a mais barata do calendário inteiro: campanha de reconhecimento de marca, captação de lista por e-mail e WhatsApp, público de remarketing construído a partir de quem visita o site ou interage com o conteúdo, cupom de prévia para quem já é cliente. O CPM de outubro ainda não sofreu a pressão da alta demanda de novembro. É o momento de construir audiência pagando menos por ela.

Campanha principal (fins de novembro)

O pico de 2026 cai em 27/11. Monitoramento em tempo real, ajuste de orçamento entre os anúncios que performam e os que não performam, garantia de que o estoque e a logística aguentam o volume. Também é a fase mais cara do ano para comprar mídia, porque todo concorrente do seu setor está no mesmo leilão, na mesma semana.

Pós-Black Friday e Cyber Monday

Quem abandonou carrinho na sexta-feira costuma converter na segunda, com o remarketing certo. O sábado seguinte à Black Friday de 2025 teve 71 milhões de operações, mais que o ano anterior. O movimento não termina no fim de semana.

Por que outubro é a fase mais estratégica, não a mais óbvia

A lógica de comprar público de remarketing antes de precisar dele é simples. Pixel e lista não custam nada para manter, só custam para construir. Quem espera novembro para começar a rodar tráfego para o site paga o CPM mais caro do ano para conseguir o mesmo visitante que poderia ter capturado em outubro, mais barato, e só reimpactado depois com anúncio de remarketing, historicamente mais barato que tráfego frio.

O aumento de custo de leilão em época de alta demanda é reconhecido de forma consistente por quem trabalha com gestão de tráfego, embora não exista um percentual fechado e auditável específico para novembro no Brasil. CPM e CPC sobem para todo mundo quando todo mundo do mesmo setor está comprando mídia na mesma semana. Fora de pico, o CPM médio do Meta Ads no Brasil fica entre R$ 15 e R$ 35 no Feed. É essa referência que sobe quando novembro chega.

O esquenta já vende antes do dia oficial

O 11 de novembro, adotado no Brasil como uma espécie de prévia da Black Friday, teve em 2025 um crescimento de 105% nas vendas só naquele dia, segundo a Confi Neotrust. O consumidor brasileiro não está mais esperando o último final de semana de novembro para comprar. A decisão já está sendo tomada em datas de esquenta — por isso a campanha de outubro não é só reconhecimento de marca, é venda de verdade.

O que fazer com isso agora

Se hoje é começo de agosto, a fase de diagnóstico já devia estar em andamento: puxar o resultado da Black Friday passada, decidir o que vai entrar na promoção deste ano e revisar a meta com o time comercial. Outubro é a próxima parada — não novembro. Quem chega em novembro sem público de remarketing construído está competindo pelo cliente mais caro do ano, com o orçamento mais apertado do ano.

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